Em um mundo onde a humanidade se vê cada vez mais separada da natureza, consumindo-o, a busca pela conexão e a transformação de consciência talvez seja a única maneira autêntica de sentir o prazer de estar vivo.
Ficha Técnica
Título da Obra
Com que roupa?
Ano
2023
Duração
3 minutos
Idioma
Linguagem corporal
Direção
Denis Zubieta
Câmera
Márcia Albuquerque
País
Brasil
Cor
Cor
Gravado em
Super 8
Making of
Solitude
A terra já não é mais a mesma há muito tempo. Em um futuro não muito distante, as relações se deterioraram sem precedentes. Em um mundo particular, uma mistura de sentimentos de solidão e sobrevivência, enquanto o mundo externo exibe sua voracidade em meio às mudanças climáticas.
Alguém me escuta?
Rasgo Frenético
Útero, trompas, peito: mulher. Rasgo Frenético é uma releitura do poema de mesmo nome que trata o feminino e suas ressignificações ao longo da vida. Sua relação com o corpo parece estar em constante caos mesmo que a vida lhe ofereça outra alternativa. Esta obra fez parte do Festival Inflamável – Festival de filmes em Super 8 e 16mm que ocorreu nos dias 12 a 15 de Novembro de 2025.
Ficha Técnica
Direção
Denis Zubieta
Atriz e Poema
Marcia Albuquerque
Som
Denis Zubieta
Voz
Márcia Albuquerque
Revelação botânica
Duo Strangloscope
Making of e Imagens do filme
Escaleta
PARTE 1
Cena 1 – Segurando o pano (close na mão) 8s Cena 2 – Segurando o pano (ao longo da mão e extensão do tecido) 9s Cena 3 – De frente e segurando o pano abaixado (plano aberto, ao fundo o mar) 12s Cena 4 – Caminhando da esquerda para direita pela pela (plano aberto) 10s Cena 5 – Rodopio no próprio eixo, sorrindo, feliz (plano médio) 15s Cena 6 – Caminhando em direção da câmera (plano aberto) 20s Cena 7 – Filmando pés, com dor, passando da esquerda p direita 14s Cena 8 – Na colina ao lado de uma árvore (plano aberto) 15s Cena 9 – Ainda na colina, de costas, (plano aberto) 7s Cena 10 – Márcia profere palavras: úteros, peitos, trompas, mulher (Close-up) 5s Cena 11 – ÁGUA – Márcia caminha para dentro do mar (plano aberto) 23s Cena 12 – ÁGUA – Pano boiando entre as pedras (plano médio) 21s Cena 13 – ÁGUA – Pano por outro ângulo (plano aberto) 13s
PARTE 2
Cena 14 – Ondas, pedras e Sambaqui (plano aberto) 16s Cena 15 – Ondas, pedras e Sambaqui (plano médio) 10s Cena 16 – Ondas, pedras e Sambaqui (plano médio) 9s Cena 17 – Ondas, pedras e Sambaqui (plano médio) 6s Cena 18 – Árvore, mar, vento (plano aberto) 12s Cena 19 – Árvore, mar, vento (plano aberto) 15s Cena 20 – Árvore, mar, vento (plano aberto) 18s Cena 21 – Sambaqui (plano fechado) 9s Cena 22 – Márcia deitada no sambaqui e abre o olho (plano fechado) 11s Cena 23 – Márcia deitada, olhar fixo (close) 16s Cena 24 – Caminho entre árvores (plano aberto) 10s Cena 25 – Plantas com carrapatos (close) 22s Cena 26 – Márcia no meio das pedras junto ao mar, se abaixa (plano aberto) 22s Cena 27 – Márcia ainda abaixada, pega algumas conchas (plano aberto entre árvores) 15s Cena 28 – Márcia ainda abaixada, de outro ângulo, pegando conchas (plano aberto entre árvores) 9s Cena 29 – Márcia, segurando as conchas, deixa cair (plano médio) 11s Cena 30 – Seus cabelos ao vento (plano fechado) 14s e 12s Cena 31 – Conchas e mar (plano fechado) 21s Cena 32 – Folhas, conchas e mar (plano fechado) 15s
Teaser
Imaterial Dourado
Através do contra-luz, o fotógrafo Denis Zubieta revela a hora mais dourada de João Pessoa/PB. No fim de tarde, entre prédios e avenidas, a cidade se mostra e encerra seu turno, aliás, existe ali a força do trabalhador que, cotidianamente, tira o seu sustento e que muitos só pensam na volta para casa depois de um dia de trabalho.
Gambiarras: objetos anticoloniais
Apresentação
Gambiarras, origina-se no aprofundamento de estudos anticoloniais e na formação de arte e tecnologia de Denis Zubieta, estabelecendo uma poética densa e crítica integrada em cada obra. O artista apresenta uma exposição interativa e imersiva, através de um conjunto de instalações inseridas no universo da Gambiologia. Com sotaque antropofágico, suas esculturas interativas trazem novo significado, por meio do hibridismo em diversas materialidades, tais como: elementos orgânicos, sonoros, mecânicos e eletrônicos- computacionais. Questiona e atua como instrumento de resistência e re-existência em defesa do território e denúncia de hegemonia cultural. Em seu acesso ao compartilhamento ancestral, a estética da Gambiarra serve como interseção entre o contexto da arte e a tecnologia. Ao contemplar a série Gambiarras, os olhos do espectadores serão surpreendidos por várias camadas interpretativas em justaposição aos detalhes das esculturas e instalações: sons, cores, movimentos, sensores, objetos ancestrais, terra quilombola, cestaria indígena, interatividade com dados da internet apresentados em tempo real, embarcados eletrônicos e um vasto repertório de comunicação com o sentir.
Obras
Ficha Técnica
Artista
Denis Zubieta
Curadora
Márcia Albuquerque
Artista Convidada
Bill’Or
Produção
Kim Coimbra
Fotografia
Lari Moon
Assessoria de imprensa
Mari Feitosa
Acessibilidade em Libras
Alcirema Ferreira
Dados contemporâneos: um olhar para além da acrílica
Apresentação
A busca de informações na internet não é nenhuma novidade para quem está no dia-a-dia à frente de uma tela, basta uma simples busca para obter dados sobre o tempo, sobre um caminho a seguir, sobre aquela receita de bolo, mas e o que não buscamos? Ou melhor, sobre o que os usuários não estão dispostos a buscar? Em sua série denominada “Dados Contemporâneos: um olhar para além da acrílica”, Denis Zubieta apresenta obras inseridas em um hibridismo de linguagens, utilizando da mistura de suportes, cujos elementos justapostos e mesclados se fundem com o objetivo de inserir a arte no lugar da mediação social, como um espaço de provocação para reflexões sobre temas variados inseridos em nossa sociedade.
Obras da Série
O Processo criativo
O processo de investigação se deu ainda em período pandêmico (2020-2023) onde participei de um grupo de pesquisa da UFMS chamado Entre Nós. O objetivo do grupo era aprofundar os estudos sobre decolonialidade, tecnologia e sociedade. Desenvolvemos estudos a respeito decolonialidade e fizemos levantamentos de dados sobre nossa sociedade. Na mesma época realizei trabalhos de pesquisa na área das artes visuais e tecnologias contemporâneas, lê-se tecnologias contemporâneas dispositivos como arduínos e os mais variados sensores de baixo custo relacionados à cultura maker, com esta tecnologia é possível programar via código e produzir circuitos interativos. O desafio se deu de forma experimental na abordagem da tela em tecido como suporte físico onde iria receber as tintas acrílicas e os dispositivos eletrônicos. Em um primeiro momento havia tentado com fotografia, mas não cheguei ao resultado esperado, então resolvi pesquisar a pintura em acrílica utilizando a ferramenta espátula para dar a coesão necessária ao que estava buscando, uma maior liberdade me trouxe, mas também certos questionamentos de quais temas de nossa socidade deveria abordar.
Foi então que tivemos uma crise de informação de dados da COVID-19, um apagão nos dados fez com que a mídia e os grandes centros de saúde tiveram que assumir o papel do governo na época e exibir para a sociedade os dados diários de mortos e decorrência de tal doença. Com base nessa problemática resolvi criar uma tela que tivesse como temática os mortos pela COVID-19 e que trouxesse os dados em tempo real para dentro da obra.
Possuo experiência em programação, o que facilitou a busca de uma base de dados que pudesse ser utilizada para a extração e consistência nos dados e que me permitisse atualizar 2 vezes ao dia os dados provenientes dos mortos pela Covid-19. A pintura foi feita em tela com movimentos retílíneos, de cima para baixo, utilizando a tinta acrílica azul em sua predominância, cor que remete à falta de ar e em seguida a morte. Muito presente também, aliás, em todas as telas subsequentes, o vermelho surgiu como indicativo de morte. Finalizando o processo desta obra, embarquei o display e um circuito eletrônico para conexão com a Internet, o que me obrigou a ter uma estrutura de wifi disponível para que a obra pudesse se conectar.
A partir desta experiência tive a clareza do que poderia seguir e das soluções nos desafios que viriam. Defini juntamente com minha curadora Márcia Albuquerque as temáticas que poderiam ser abordadas, levando em consideração o momento atual de nossa sociedade. Então foram abordados temas como desmatamento na obra amazônia; desequilíbrio ambiental na obra Açu; extermínio do povo indígena com a obra Terra que sagra; entre outras 9 obras. Cada obra teve o seu desafio com as barreiras tecnológicas de funcionamento de sensores, motores, atuadores e as próprias interações esperadas, juntamente com a escolha cuidadosa das cores, dos movimentos, além da busca por dados sobre os temas aos quais queria abordar.
A série Dados Contemporâneos: um olhar para além da acrílica, atingiu sua maturidade na exposição que ocorreu no museu em Itajaí nos meses entre novembro/2024 e janeiro/2025, onde todas as obras puderam ser fruídas com saldo de visitação de 2.500 pessoas neste período. O contato foi positivo e promissor para temáticas futuras.
Processo criativo em fotos
Ficha técnica
Artista
Curadoria e produção
Design Gráfico e digital
Acessibilidade libras
Acessibilidade braile
Áudio-descrição
Denis Zubieta
Márcia Albuquerque
Gustavo Stutz
Alcirema Ferreira
Eliane Luchini
Márcia Albuquerque
Jardim de sonhos intranquilos
Sinopse: Jardim de Sonhos Intranquilos é uma produção experimental que questiona a relação homem x natureza, vivendo e pulsando a cada detalhe. Nele é retratado um pedaço particular de nós mesmos, com nossas curiosidades e desejos, mas também mostra nosso lado mais sombrio.
English:
Garden of restless dreams is an experimental production that questions the relationship between man and nature, living and pulsating in every detail. It portrays a particular part of ourselves, with our curiosities and desires, but it also shows our darker side.
Ficha técnica
Project Type: Experimental
Runtime: 2 minutes 59 seconds
Completion Date: October 21, 2023
Production Budget: 1,000 USD
Country of Origin: Brazil
Country of Filming: Brazil
Language: Portuguese
Shooting Format: Digital
Aspect Ratio: 16:9
Film Color: Color
Relações
Grito
Um grito Um grito de alerta Um grito de socorro Escute esse meu grito
Um grito, por mais forte que ele seja, não se propaga no vácuo. Debaixo da agua suas partículas tornam-se tão densas que se torna inaudível, no caso de um grito articulado na linguagem, como um grito de socorro. O discurso é incapaz de narrar o trauma, somente o grito o é, mas ambos se inviabilizam diante da violência. Durante o período de isolamento em virtude da pandemia de covid-19, inúmeras mulheres são submetidas a convivência 24 horas por dia com seus algozes. Mães, tias, esposas, primas, irmãs, filhas, mulheres em distintas qualidades familiares são violentadas pelos pais, irmãos, esposos, filhos, netos e primos. Estas vítimas estão submetidas a paradigmas civilizacionais que os condenam a dependência financeira e afetiva, as possibilidades de fuga que podemos de longe premeditar, para estas mulheres, impedidas de trabalharem e de construir carreiras e moralmente estigmatizadas por uma sociedade onde os homens podem tudo e elas nada podem, todas alternativas à condição de violência cotidiana são devaneios tolos. “É assim mesmo”, “ a gente acaba por se acostumar”, “ele não faz por mal, é o instinto do homem”, “ele tem esse lado agressivo, mas é um bom homem”. Ainda se resignando diante destas situações, algumas destas mulheres aceitaram fazer o experimento de mentalizar suas dores, contraí-las no peito e solta-las em um grito, embaixo da agua, sim, mas ainda um grito. Aqui você não será ouvida, você tem a si mesmo e tem a água, qualquer palavra dita não será propagada para além de si mesmo, por um instante tudo poderá ser solto no esquecimento, um grito submerso para a eternidade, e quando você emergir, ele já não será. O fotografo Denis Zubieta capturou o instante exato e sublime deste grito, a sua expressão única. Se utilizou do maior artificio da fotografia para sublinhar um ponto no tempo e no espaço que jamais se tornará a repetir, assim como todos os outros, mas este em especial ocorreu porque era preciso, porque o número de mulheres vitimas de violência doméstica tem aumentado de maneira assustadora durante o isolamento social, e talvez este grito, ainda que submerso, ainda que distorcido pela representação fotográfica, possa ser ouvido para que tudo isso acabe.
Um pouco sobre o processo
Olá, tudo bem? Me chamo Denis Zubieta, sou fotógrafo, artista visual e webdesigner. Venho aqui falar um pouco sobre a obra GRITO cuja a temática é a respeito da violência contra mulher. Violência esta que aumentou muito, segundo dados do 180, por volta de 40% no ano de 2020 e que na maiora desses casos aconteceram dentro de suas próprias casas. Em geral são cometidas por seus maridos, tios, pais, filhos com diferentes motivos, mas todos eles tem uma coisa em comum que é o machismo estrutural arraigado dentro de nossa sociedade. Então a ideia foi unir 7 mulheres em um único propósito, a de dar um grito de basta. Escolhi como ambiente a piscina, lá embaixo d’água, seu grito sufocado e mesmo carregado de revolta tenta romper com esses paradigmas da sociedade tentando ir além de um simples grito submerso. Um grito que tenta romper com esses paradigmas impostos. Visualmente procurei tratar de forma densa e solitária a vida, a revolta e a dor dessas mulheres.
A dor da não representatividade A dor da liberdade cerceada e além disso tudo A dor física que muitas das vezes levam a morte muitas dessas mulheres
Neste final de semana que se passou, nos reunimos em uma piscina aquecida rsrsrsrs, vale lembrar que a água está fria nessa época do ano, então procuramos uma escola de natação aqui da capital para nos dar esse apoio. A equipe contou com 10 participantes entre produção e atrizes que toparam esse desafio e não poderia ser diferente, o ensaio em si foi maravilhoso, as meninas estavam bem entrosadas, mostrar o que sente se revelou uma experiência importante, não só pra mim, mas para todos nós envolvidos.
Momento de suspensão social nos leva à desobediência civil ou alinhamento à ciência? Nos leva à vida para sermos mais exatos. Sensação de reclusão nos remete a uma viagem ao seu Eu, ao nosso Eu, monta, e remonta, em si, a reflexão de uma consciência em harmonia com o corpo, trabalhando verdadeiramente em dupla. Os desafios até aqui são no sentido de conciliar tarefas provenientes de nossos trabalhos e, sobretudo, conciliar o silêncio que nos cerca com a nossa vida antiga que não voltará mais. Essa série fotográfica revela um cotidiano, em seu trigésimo quinto dia de pandemia e quarentena, com todos os seus conflitos diários, um diálogo íntimo consigo mesmo e as angústias para que a vida siga dentro de uma certa normalidade, agora imposta, mas que continue florescendo apesar dos pesares. Sigamos com a vida.