Lá na Roça
O milho é um alimento fundamental e sagrado na América do Sul, presente na culinária e cultura indígena há milênios, aqui é ofertado e apresentado em um cesto feito pela etnia indígena Kaigang, um povo originário do Sul e Sudeste do Brasil, que utiliza técnicas tradicionais e materiais como palha e fibra de taquara para criar cestas com belos grafismos, vendidas para gerar renda e preservar sua cultura.
Te Protejo
Além de purificar o ar, é símbolo poderoso de proteção, coragem e força, representa fé e resiliência em culturas populares, religiões de matriz africana (Ogum/Iansã). Sua atividade elétrica é capturada na ordem de microvolts e enviada para um site onde uma imagem sofre interferência direta proveniente do estímulo que a planta sofre em seu redor.
TV Crioula
Vibrante manifestação cultural afro-brasileira do Maranhão, o Tambor de Crioula é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, que celebra a identidade negra e a resistência através de danças circulares femininas com a famosa “umbigada” (punga), cantos e percussão de tambores (rufador, meião e crivador).
Nesta terra
A partir da pintura em papelão com terra retirada do Quilombo Morro do Boi, utilizada aqui como referência aos anúncios de jornais antigos para venda, compra ou aluguel de pessoas escravizadas, uma espécie de classificado digital que nos mostra um passado não muito distante e que insiste em continuar.
Festa ancestral
A cabaça, presente em diversas culturas indígenas e afro-brasileiras, como Candomblé e Umbanda, servindo como recipiente sagrado, aqui ela trás toques como o tambor de crioula, samba rural e o candombe afro-uruguaio.
Gambiarras: objetos anticoloniais
Gambiarras, origina-se no aprofundamento de estudos anticoloniais e na formação de arte e tecnologia de Denis Zubieta, estabelecendo uma poética densa e crítica integrada em cada obra. O artista apresenta uma exposição interativa e imersiva, através de um conjunto de instalações inseridas no universo da Gambiologia. Com sotaque antropofágico, suas esculturas interativas trazem novo significado, por meio do hibridismo em diversas materialidades, tais como: elementos orgânicos, sonoros, mecânicos e eletrônicos- computacionais. Questiona e atua como instrumento de resistência e re-existência em defesa do território e denúncia de hegemonia cultural. Em seu acesso ao compartilhamento ancestral, a estética da Gambiarra serve como interseção entre o contexto da arte e a tecnologia. Ao contemplar a série Gambiarras, os olhos do espectadores serão surpreendidos por várias camadas interpretativas em justaposição aos detalhes das esculturas e instalações: sons, cores, movimentos, sensores, objetos ancestrais, terra quilombola, cestaria indígena, interatividade com dados da internet apresentados em tempo real, embarcados eletrônicos e um vasto repertório de comunicação com o sentir.
Dados contemporâneos: um olhar para além da acrílica
A busca de informações na internet não é nenhuma novidade para quem está no dia-a-dia à frente de uma tela, basta uma simples busca para obter dados sobre o tempo, sobre um caminho a seguir, sobre aquela receita de bolo, mas e o que não buscamos? Ou melhor, sobre o que os usuários não estão dispostos a buscar?
Em sua série denominada “Dados Contemporâneos: um olhar para além da acrílica”, Denis Zubieta apresenta obras inseridas em um hibridismo de linguagens, utilizando da mistura de suportes, cujos elementos justapostos e mesclados se fundem com o objetivo de inserir a arte no lugar da mediação social, como um espaço de provocação para reflexões sobre temas variados inseridos em nossa sociedade.
Obras da Série
O Processo criativo
O processo de investigação se deu ainda em período pandêmico (2020-2023) onde participei de um grupo de pesquisa da UFMS chamado Entre Nós. O objetivo do grupo era aprofundar os estudos sobre decolonialidade, tecnologia e sociedade. Desenvolvemos estudos a respeito decolonialidade e fizemos levantamentos de dados sobre nossa sociedade. Na mesma época realizei trabalhos de pesquisa na área das artes visuais e tecnologias contemporâneas, lê-se tecnologias contemporâneas dispositivos como arduínos e os mais variados sensores de baixo custo relacionados à cultura maker, com esta tecnologia é possível programar via código e produzir circuitos interativos. O desafio se deu de forma experimental na abordagem da tela em tecido como suporte físico onde iria receber as tintas acrílicas e os dispositivos eletrônicos. Em um primeiro momento havia tentado com fotografia, mas não cheguei ao resultado esperado, então resolvi pesquisar a pintura em acrílica utilizando a ferramenta espátula para dar a coesão necessária ao que estava buscando, uma maior liberdade me trouxe, mas também certos questionamentos de quais temas de nossa socidade deveria abordar.
Foi então que tivemos uma crise de informação de dados da COVID-19, um apagão nos dados fez com que a mídia e os grandes centros de saúde tiveram que assumir o papel do governo na época e exibir para a sociedade os dados diários de mortos e decorrência de tal doença. Com base nessa problemática resolvi criar uma tela que tivesse como temática os mortos pela COVID-19 e que trouxesse os dados em tempo real para dentro da obra.
Possuo experiência em programação, o que facilitou a busca de uma base de dados que pudesse ser utilizada para a extração e consistência nos dados e que me permitisse atualizar 2 vezes ao dia os dados provenientes dos mortos pela Covid-19. A pintura foi feita em tela com movimentos retílíneos, de cima para baixo, utilizando a tinta acrílica azul em sua predominância, cor que remete à falta de ar e em seguida a morte. Muito presente também, aliás, em todas as telas subsequentes, o vermelho surgiu como indicativo de morte. Finalizando o processo desta obra, embarquei o display e um circuito eletrônico para conexão com a Internet, o que me obrigou a ter uma estrutura de wifi disponível para que a obra pudesse se conectar.
A partir desta experiência tive a clareza do que poderia seguir e das soluções nos desafios que viriam. Defini juntamente com minha curadora Márcia Albuquerque as temáticas que poderiam ser abordadas, levando em consideração o momento atual de nossa sociedade. Então foram abordados temas como desmatamento na obra amazônia; desequilíbrio ambiental na obra Açu; extermínio do povo indígena com a obra Terra que sagra; entre outras 9 obras. Cada obra teve o seu desafio com as barreiras tecnológicas de funcionamento de sensores, motores, atuadores e as próprias interações esperadas, juntamente com a escolha cuidadosa das cores, dos movimentos, além da busca por dados sobre os temas aos quais queria abordar.
A série Dados Contemporâneos: um olhar para além da acrílica, atingiu sua maturidade na exposição que ocorreu no museu em Itajaí nos meses entre novembro/2024 e janeiro/2025, onde todas as obras puderam ser fruídas com saldo de visitação de 2.500 pessoas neste período. O contato foi positivo e promissor para temáticas futuras.
Processo criativo em fotos
Ficha técnica
Artista
Curadoria e produção
Design Gráfico e digital
Acessibilidade libras
Acessibilidade braile
Áudio-descrição
Denis Zubieta
Márcia Albuquerque
Gustavo Stutz
Alcirema Ferreira
Eliane Luchini
Márcia Albuquerque
Planta Mapeada
Atualmente temos muitas formas de gerar dados para análise do que nos cerca e não seria diferente com as plantas.
Ficha técnica
Ano: 2024
Técnica: Acrílica sobre tela e dispositivos eletrônicos
Dimensões: 50 x 70cm
Funcionamento: O sensor implantado no vaso da planta é capaz de mostrar se a planta está precisando de água ou não.
Processo em fotos
Redes Sociais
As redes sociais atuam no ambiente on-line, partilhando pensamentos de pessoas entre si, conectando pessoas e atuando como termômetro de nossa sociedade.
Ficha técnica
Ano: 2024
Técnica: Acrílica sobre tela e dispositivos eletrônicos
Dimensões: 70 x 70cm
Funcionamento: Acessando uma página da intenet você poderá deixar sua mensagem no display da obra.
processo em fotos
Desigualdade
A pobreza extrema no Brasil tem origem estrutural, sob um processo de colonização pautada em uma sociedade escravagista. A pobreza possui diversas causas, dependendo do grupo social ou do país analisado, sendo elas de origem estrutural ou conjuntural. Em se tratando do Brasil, a causa primária da pobreza é estrutural e se amplia por meio da má distribuição de renda.
Ficha técnica
Ano: 2024
Técnica: Acrílica sobre tela e dispositivos eletrônicos
Dimensões: 70 x 70cm
Funcionamento: através de um botão no rodapé da obra, o fruidor poderá ter acesso ao que está escrito no meio dela.
Processo em fotos
Re-tela
Re-tela é a tentativa de se dar novo significado a uma tela com pintura abstrata, utilizando sensores e motores, colocam em outra perspetiva uma pequena faixa de tela em substituição a uma parte do todo.
Ficha técnica
Ano: 2024
Técnica: Acrílica sobre tela e dispositivos eletrônicos
Dimensões: 70 x 80cm
Funcionamento: Inicialmente a obra está programa para mudar aleatóriamente a faixa de pintura acoplada num intervalo de 15 a 100 segundos, mas tudo pode mudar dependendo dos ruídos que estiverem sendo produzidos na sala de exposição.
Processo em fotos
LGBTQIAPN+
Brasil é o país que mais mata população LGBTQIAPN+. Com quase um caso por hora, agressões contra população LGBTQIAPN+ aumentam 39,4% em um ano. Dados de 2021 e 2022. A maior parte dos agressores são homens, apontados como autores em 70,9% dos casos.
ficha técnica
Ano: 2024
Técnica: Acrílica sobre tela e dispositivos eletrônicos
Dimensões: 80 x 70cm
Funcionamento: A obra acessa dados de casos de agressão e retorna em intervalos acendendo sua faixa de leds de tempo em tempo.
Processo em fotos
Violência Contra Mulher
Segundo dados do 180, a violência contra mulher aumentou por volta de 40% no ano de 2020 e que na maiora desses casos aconteceram dentro de suas próprias casas. Em geral são cometidas por seus maridos, tios, pais, filhos com diferentes motivos, mas todos eles tem um fator em comum: o machismo enraizado em nossa sociedade.
fICHA TÉCNICA
Ano: 2023
Técnica: Acrílica sobre tela e dispositivos eletrônicos
Dimensões: 50 x 70cm
Funcionamento: A obra consulta dados da internet sobre violência contra mulher como mortes, casos de agressão e mostra em seu display em tempo real.
PROCESSO EM FOTOS
Sociedade de Controle 2
A obra sociedade de controle 2 é um desdobramento da obra sociedade de controle, onde são recebidas via internet, e em tempo real, as imagens capturadas da outra obra.
ficha técnica
Ano: 2024
Técnica: Acrílica sobre tela e dispositivos eletrônicos
Dimensões: 70 x 80cm
Funcionamento: O display eletrônico da obra exibe a imagem recém capturada da obra Sociedade de Controle.
Processo em fotos